quinta-feira, setembro 27, 2007

Andar por aí (2)

Ora bem, diante do coro de aplausos, apesar de continuar a achar que ele podia ter-se ficado apenas por um reparo - já se sabe como é que as televisões funcionam - reconheço que se tratou de um gesto digno. Custa-me admitir, mas merece.
A reação da SIC ao inusitado acontecimento é sobranceira e só reforça o meu apoio a Santana. Quem diria ...

5 comentários:

rui guerra disse...

Santana pode pedir o adiamento das directas, que já ganha as eleições para o PSD!!!!

rb disse...

lol

beautiful disse...

mas acho que devia ter ficado só pelo reparo ...

Pr.José Roberto disse...

Dá a conhecer aos teus paroquianos que este artigo pucha por algumas reflecções.Mando-te ainda hoje mais informação por mail.

O assunto foi abordado numa conferência de José Maria Lopes de Araújo, professor de Comunicação Social, sobre "a realidade e a ficção na televisão", com a presença de jornalistas de vários órgãos de comunicação social.

A propósito, o docente da Universidade Católica Portuguesa disse que as relações entre jornalistas e políticos são diferentes consoante se estabelecem nos domínios público ou privado, mas o resultado acaba por reflectir-se no produto informativo das televisões, "havendo alguma promiscuidade entre jornalismo e política" que manipula a percepção da realidade.

José Lopes de Araújo, também escritor e jornalista, acrescentou que a "força e capacidade de sedução da televisão é tal que, mais do que descrever a realidade, ela constrói acontecimentos".

Porque o espectador "menos protegido se rende facilmente à capacidade hipnótica da televisão", o professor de Comunicação Social defendeu que a escola deve investir na formação de consciência crítica para o consumo de conteúdos televisivos.

A mistura entre a realidade e a ficção na produção televisiva é um fenómeno que acontece "sistematicamente" e afecta a percepção da realidade e a capacidade crítica dos telespectadores, alertou José Maria Lopes de Araújo.
O especialista perguntou se "só existe o que a televisão mostra", referindo a credibilidade quase dogmática atribuída à expressão "apareceu na televisão".

Lopes Araújo frisou que "a TV não mostra, deixa ver algumas coisas", pelo que a percepção da realidade "é limitada a um quadro". A sua credibilidade, portanto, tem limites que muitas vezes "são abalados".

Pr. Roberto disse...

Neste contexto, deixou uma série de conselhos para promover o sentido crítico: "Ser selectivo; considerar a fonte; ler; não acreditar em tudo o que se vê; examinar; ser céptico; questionar; ser espectador activo; ter bom-senso e senso comum".

No caso das crianças, foi criticado o efeito da exposição à violência e da "banalização da morte", alertando para a "capacidade de substituição da televisão relativamente ao papel dos pais e das escolas".

O professor da UCP recusou, contudo, a ideia de que a TV seja "a causa de todos os males", criticando a forma pouco responsável como os educadores e pais deixam os filhos ver televisão, sem regras ou contextos.

As jornadas nacionais de Comunicação Social decorrem em Fátima até esta sexta-feira e são promovidas pelo Secretariado Nacional das Comunicações Sociais da Igreja Católica, que convidou jornalistas para o debate à volta do tema "Será verdade o que vemos, ouvimos e lemos?".

Sensacionalismo vs dignidade

À margem dos trabalhos, o bispo que preside à Comissão Episcopal para a Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais deu a entender que os órgãos de comunicação social ligados à Igreja Católica não devem ceder facilmente ao sensacionalismo.

D. Manuel Clemente disse que "para quem se rege por valores cristãos, o valor a respeitar é o da dignidade das pessoas". O bispo reconheceu que "não interromper com o sensacionalismo qualquer o processo de existencial da pessoa, deve ser uma carga de trabalhos para um jornalista" e reforçou que a opção não deve ser a cedência à lógica do sensacionalismo, mas "dar passos em frente, conjugando a eficácia com os valores da dignidade da pessoa".

D. Manuel Clemente, que é também bispo do Porto, acrescentou que o jornalismo deve ser "honesto e não diminuto na maneira de apresentar assuntos com densidade humana".